segunda-feira, 29 de junho de 2009

O PAPEL. PERSPECTIVAS FUTURAS

Desde a sua invenção, que o papel como suporte de comunicação contribuiu para o desenvolvimento económico e social da humanidade. O seu aparecimento na Europa, após mais de dez séculos da sua invenção na China por volta do ano 102, originou um impulso decisivo na difusão da tipografia aperfeiçoada por Johannes Gutenberg. A adaptabilidade à técnica de impressão, o conforto da leitura, a fixação duradoura da escrita, a facilidade de manuseamento e de transporte fizeram do papel o melhor veículo de comunicação ao longo dos séculos.

O formidável movimento de democratização do saber preconizado no séc. XV, liberta o livro da cópia manuscrita e estimula a difusão do livro produzindo grandes benefícios no contexto mercantilista. A invenção de Johannes Gutenberg é estimulada pelo ensino académico e pelo reforçar das línguas vernáculas. Estava criado um novo dinamismo na comunicação que mobilizava novas competências técnicas e financeiras. O papel como parte integrante do livro transforma-o num elemento eficaz de comunicação. Neste contexto, o livro torna-se indissociável da página e consequentemente do papel. O papel contribuiu, para o êxito da imprensa e por sua vez, para a universalidade do seu emprego.

A mudança do papel e da sua percepção será possivelmente alterada e o seu futuro é objecto de grandes debates. Os mais sépticos temem o seu desaparecimento, pois é certo que o papel tem adversários de peso. Mas muitos profissionais afirmam que não haverá diminuição significativa do volume de utilização do papel até meados deste século. No entanto, a preferência futura vai de encontro ao ecrã em detrimento da página impressa. A versatilidade, a libertação de fixações materiais, a interactividade propiciada pelos meios digitais, são cada vez mais, elementos que prefiguram as novas formas de comunicação. Segundo Raffaele Simone “no final do séc. XX passámos gradualmente de um estado em que o conhecimento evoluído se adquiria fundamentalmente através do livro e da escrita, ou seja, através do olhar e da visão alfabética, o que denominamos por inteligência sequêncial, para um estado em que o conhecimento se adquire através da audição, ou da visão não alfabética, isto é da inteligência simultânea. Passámos de uma modalidade de conhecimento em que prevalecia a linearidade para uma em que prevalece a simultaneidade dos estímulos e da elaboração”.

A liberdade da escrita protagonizada pela internet levou à democratização da informação e à explosão da escrita. Nunca em tão pouco tempo se escreveu tanto. Apesar disso, o papel coabita com os meios digitais, a página converte-se em ecrã e o ecrã em página. Será importante, neste momento, afirmarmos que o papel irá desaparecer e dar lugar ao ecrã? O que ocorre com mais frequência é que uma nova tecnologia se apropria de uma determinada função e deixa outras funções a uma tecnologia já existente. A imprensa substituiu a escrita manual, para a distribuição da comunicação, mas não converteu a escrita manual em algo obsoleto, da mesma forma que o ecrã não conseguiu transformar o papel em obsoleto.

As características peculiares do papel são representativas da sua longevidade que ao longo de dezanove séculos propiciam a fixação da escrita adaptando-se ao nosso pensamento, à informalidade e à visibilidade insubstituível das notas manuscritas.

As caracteristicas funcionais do papel são insubstituíveis embora prefigurem uma mutação digital, absorvendo a tecnologia, adaptando-se e adquirindo novos conceitos aliando a sua funcionalidade a uma textualidade dinâmica e interactiva.

Muito embora o papel possa perder a sua centralidade serão as “gerações vindouras que criarão um mundo onde o papel e o pixel possam coexistir em agitada harmonia”.

Se existe a possibilidade de tornar o papel interactivo, então tudo é possível.


UMA VISÃO DO FUTURO VISTA PELA MICROSOFT
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