quarta-feira, 15 de julho de 2009

O IMPACTO DO DIGITAL NA INDÚSTRIA GRÁFICA

Ao longo do meu percurso profissional, assisti a profundas alterações dos procedimentos tecnológicos e produtivos na indústria gráfica. Após a introdução dos primeiros computadores, a pré-impressão sofre uma extraordinária mutação propiciada pelas possibilidades da electrónica. O digital determina o desenvolvimento técnico potenciando a qualidade e a produtividade quer na forma de produzir os impressos quer na sua articulação com o design.

As alterações protagonizadas pelo avanço tecnológico implicam grandes esforços ao nível da aprendizagem, metodologia e adaptação. A pouco e pouco, cresce a necessidade por conhecimentos especializados em áreas tecnológicas e ao nível da infografia. Profissões e terminologias deixam de ter sentido e outras emergem. As exigências deste novo sistema cresce muitas vezes a um ritmo mais rápido que as suas próprias possibilidades. As exigências destes sistemas fazem abolir alguns procedimentos, entre os quais, a montagem de fotolitos e o fototransporte que culmina na sensibilização directa do computador à chapa – computer-to-plate (CTP).

A dinâmica actual continua fortemente impulsionada pela integração de tecnologias de comunicação, electrónica, robótica e cibernética, sendo a aplicação dos dados digitais cada vez mais ampla. A galáxia de Gutenberg é hoje, digital.

A evolução dos sistemas digitais surge como um caminho natural para novas formas de comunicação. Lembro que o software adaptou-se às exigências diárias deixando de ser exclusivo, as suas funções tornaram-se cada vez mais sofisticadas, os seus componentes e sistemas tenderam para a uniformização, passaram a funcionar em conjunto e a utilizar a mesma linguagem. A comunicação deu origem ao desenvolvimento de standards internacionais e surgiu o termo do século – a compatibilidade.

O Postscript, TIFF, JPEG, PDF, JDF, são hoje imprescindíveis ao trabalho de edição. A ampla disponibilidade de sistemas, dá origem a soluções cada vez mais inteligentes e intuitivas. A tecnologia é capaz de tornar realidade a transferência de documentos electrónicos para qualquer parte do mundo, a baixo custo. Os dados digitais iniciados na pré-impressão estendem-se à impressão possibilitando a automação dos processos de impressão e também, do acabamento.

Na década de 80, os custos da pré-impressão cifravam-se entre 30% e 35% dos custos totais de produção dos impressos, o restante encontrava-se distribuído entre matérias primas, impressão e acabamento. Hoje, este valor não atinge mais de 10%. A tecnologia propiciou a redução de custos, o aumento da produtividade e marcou a diferença pela possibilidade do recurso à personalização. O JDF é um exemplo da integração da actividade produtiva, permitindo standardizar os processos de produção, tornando-os mais eficientes e económicos.

A compatibilidade de processos com a internet impõe a sua tendência no desenvolvimento, o web-to-print é simplesmente um canal de distribuição adicional de recursos, capacidades e produtos. Como referiu Bernard Zipper é uma “expansão da plataforma de negócios que também optimiza os processos de produção”.

A indústria gráfica continua em profunda mutação. O digital não é o futuro mas sim o presente por isso, cumpre-nos desenvolver competências que transformarão o trabalho dotado de criatividade orientado para uma nova dimensão.

O que seremos capazes de fazer com todas estas possibilidades?

Como disse Frank Romero “ a impressão não é uma coisa, é muitas coisas. A impressão não tem um futuro, tem muitos futuros” e será, com certeza, mais que imprimir!


TECNOLOGIAS DIGITAIS DESENVOLVIDAS PELA HP Indigo


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